A concessionária Águas do Paraíba – responsável pelo abastecimento de água e esgotamento sanitário no município de Campos – é destaque em questionamentos, reclamações e cobranças de cumprimento das obrigações contratuais.
O histórico de queixas dos consumidores, as cobranças feitas pelo poder público e as decisões da Câmara de Vereadores sobre a prestação de contas mantêm em evidência a discussão sobre a fiscalização dos serviços e a possibilidade de alteração na relação com o município, podendo chegar ao rompimento da concessão.
A articulação para a abertura de uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), proposta pelo vereador Diego Dias, ganhou força para investigar a atuação da empresa. Uma tentativa anterior, de autoria do vereador Rogério Matoso, acabou anulada pela Justiça devido à ausência de fato determinado no ato de instauração.
O volume de conflitos é ilustrado por balanços consolidados da própria prefeitura: a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura emitiu mais de 330 notificações contra a empresa por falhas operacionais recorrentes. A fiscalização registrou 139 ocorrências em 2023, 163 ao longo de 2024 e outras 31 advertências abertas nos primeiros meses de 2025.
A irregularidade que liderou o ranking de reclamações do município foi a recuperação incorreta de piso e falhas na recomposição do pavimento das vias públicas, gerando sozinha 99 advertências formais do órgão fiscalizador. Além dos danos ao asfalto, o relatório oficial detalha ocorrências graves de despejo de esgoto in natura diretamente no Rio Paraíba do Sul, vazamentos e transbordamentos na rede coletora, falta de limpeza e desobstrução das linhas e interrupções sistêmicas no fornecimento de água potável.
Em nota, Águas do Paraíba esclarece que presta contas anualmente à Câmara de Vereadores, em sessão pública com a presença da população. Sobre a tarifa praticada, a concessionária diz que está conforme e com valor similar às principais cidades do estado: “Destaca-se ainda, que mais de 75% da população do município consome o volume mínimo, ou seja, paga uma das menores contas do estado do Rio de Janeiro”.
Fechando a manifestação, a empresa “reafirma seu compromisso com a transparência e com a qualidade dos serviços prestados à população de Campos”. No entanto, durante as sessões do Legislativo, a concessionária segue acusada por parlamentares de estar exorbitando na cobrança das tarifas e de falhar no atendimento.


