O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta terça-feira (15) o envio ao presidente da Corte, Edson Fachin, de novos elementos que, segundo ele, são indícios de conflito de interesses na atuação do ministro André Mendonça em um processo sobre a concessão de cemitérios em São Paulo. As informações apontam para possíveis conexões entre Mendonça, o setor de cemitérios privados e o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
A decisão foi tomada em um processo que discute a fiscalização e as condições das concessões dos serviços funerários, cemiteriais e de cremação de São Paulo à iniciativa privada. Em decisões anteriores, Dino havia determinado medidas de fiscalização e estabelecido um limite para os preços cobrados pelas concessionárias, diante de indícios de valores abusivos.
No novo documento, Dino cita informações que, segundo ele, indicam uma possível participação do Banco Master na gestão de empresas que administram cemitérios privados na cidade.
De acordo com a decisão, o Banco Master e a Master Corretora administravam o fundo imobiliário Brazilian Graveyard and Death Care Services, que detém 20% da Cortel, uma das principais concessionárias dos cemitérios privatizados de São Paulo. Segundo Dino, Vorcaro investiu mais de R$ 154 milhões no fundo.
Um dos pontos destacados por Dino para levantara suspeita de conflito de interesses é um encontro entre Mendonça e Vorcaro em março de 2025.
Em 13 de março daquele ano, Dino havia determinado medidas de transparência e controle dos preços cobrados pelas concessionárias de cemitérios. No dia seguinte, 14 de março, Mendonça se reuniu com Vorcaro na sede do Instituto Iter, em São Paulo.
Mendonça confirmou o encontro e disse que a reunião ocorreu a pedido de integrantes da Igreja Batista da Lagoinha. Dino cita que Zettel, cunhado de Vorcaro, tem ligação com a igreja e era conselheiro da Cortel.
No dia seguinte ao encontro, Mendonça pediu vista do processo sobre os cemitérios, interrompendo o julgamento no STF. Ao devolver o caso, em 4 de abril, ele apresentou voto contrário às medidas de Dino e se posicionou a favor das concessionárias.
Dino também cita o irmão de Mendonça, Alexandre de Almeida Mendonça, que integra a SP Regula, agência responsável pela fiscalização dos cemitérios concedidos em São Paulo. Ele assumiu o cargo de superintendente em julho de 2024 e foi promovido a secretário-executivo em maio de 2026, durante a tramitação da ADPF.
